Numa conversa de final de dia estive a recordar os "tempos passados". Na temp d'caniquinha em que nos escondíamos debaixo da mesa a ver a novela e no outro dia íamos tentar as manobras de beijos com as primas/os, os namorados/as.
Na temp d'caniquinha, ainda mal saídos da casca, arranjamos aquele "txuxe" e namoramos as escondidas nos becos das ruas ou no cimo das rochas. E quando apresentávamos os namorados/as em casa passavamos a namorar na escada de casa e a mãe lá de cima a chamar de cinco em cinco minutos "hora d'sbi".
Na temp d'caniquinha, quando se faz aquela "paródia" com os amigos em casa com base na "batata q'ovo" e acabamos por beber àquele ponche da mãe ou do pai... uiuiui... as consequências!
Na temp d'caniquinha, aqueles bailes de "malta", os convites com meses de antecedência, aquele comportamento irrepreensível durante semanas, o bom aproveitamento escolar, tudo num esforço terrível para não receber um não naquele dia tão desejado. Pa bá espiá menininha de gente, bá guitá boizin de zona
Na temp d'caniquinha, temp que gente ta vive sabe na mundo! Tudo isso parte da vivência e do espítito de qualquer cabo-verdiano.